Não tenha medo de errar. O nome disso é criatividade.

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Não tenha medo do erro. O nome disso é criatividade

Para quebrar uma regra é preciso conhecê-la. Do contrário, a ‘quebra’ torna‐se apenas um acidente ou, numa pior hipótese, um ato de vandalismo. Pensar fora da caixa implica em conhecer a própria caixa ‐ ou as próprias regras, paradigmas, crenças e práticas ‐ para poder quebrá‐las quando demonstram já estarem obsoletas e desconectadas do propósito. Distanciar‐se do contexto para compreendê‐lo em toda a sua complexidade é fundamental. Permitir‐se conhecer novos contextos ajuda na identificação de conexões antes impensáveis, que nos ajudam a colocar a nossa ‘caixa’ em uma nova dinâmica.

Um dos maiores desafios a serem superados pela criatividade reside na falta de recursos, o que costuma tornar‐se uma desculpa aconchegante quando não buscamos nos conhecer melhor, incluindo permitir‐se olhar a si mesmo de fora, percebendo de forma sistêmica qual é o nosso verdadeiro problema, onde efetivamente estamos patinando, para então mobilizar essa técnica de resolver problemas que pertence a todo ser humano, chamada criatividade. Na vida pessoal ou uma organização é preciso romper este ciclo vicioso e cômodo do ‘não somos criativos porque não temos recursos’.

É preciso mudar a perspectiva, fazendo continuamente a pergunta invertida:

  • Será que não temos recursos justamente por quê não somos criativos o suficiente?
  • Será que não é o meu repertório que está me limitando e impedindo de encontrar soluções dentro da minha própria caixa?

A criatividade, que também é uma força de superação, nasce dessa postura inquieta, do contínuo desafio ao que está estabelecido, combinado com a busca de novos caminhos. Isso implica em estimular o pensamento flexível e o bom humor, aditivos que ajudam na ampliação da visão.

O maior recurso para a criatividade reside não em fartos recursos financeiros, mas no ambiente que respeita o pensamento inovador, capaz de provocar rupturas conscientes de modelos ultrapassados e de construir novas associações entre aquilo que existe, chegando a novas respostas para, muitas vezes, aqueles mesmos antigos problemas. Isso é possível quando existe um ambiente que seja tolerante ao erro quando esse é fruto do desejo e do impulso de inovar. É preciso errar, e muito, durante o processo de inovação para que, durante a execução, tudo corra na mais perfeita ordem, até que os processos tornem-se obsoletos e os modelos não atendam mais à complexidade necessária para manter performance.

Ambientes intolerantes ao erro tornam‐se, no decurso do tempo, estéreis em criatividade. Na prática, eles matam a iniciativa e colocam todos na mera perspectiva de executores ou, em outras palavras, na boa e velha bacia das almas da rotina.  O risco de uma organização consolidar‐se de forma não criativa vai além da questão que envolve o clima interno. Afinal, o mundo lá fora continua em evolução. Questão de tempo para que a organização e tudo o que a forma ‐ inclusive pessoas ‐ se tornem ultrapassadas e desconectadas da realidade.  Um ambiente onde os participantes são estimulados a sair todos os dias de casa não apenas orientados pela perspectiva do ‘não errar’, mas principalmente inspirados para também ‘acertar’, tende a ser um ambiente que transformará até mesmo os erros decorrentes do processo em resultados conscientes da aprendizagem, que deve permanecer sempre oxigenada dentro da organização. Observação válida para famílias, empresas, grupos de voluntariado e qualquer outra reunião que precise diariamente superar a si mesma e aos problemas que a envolvem.

Em nenhuma fase da história ficou tão claro para pessoas físicas, jurídicas e políticas que o sucesso construído nos últimos dez anos não representa garantia alguma de sucesso para os próximos dez meses. Basta observar quantas grandes organizações que se acomodaram em sucessos progressos desidrataram, e até evaporaram, depois do surgimento de algum novo modelo de negócios impulsionado por aplicativos e novos formatos de relacionamento com seu público. Por não permitirem-se serem as primeiras a ‘destruir’ o próprio negócio, várias empresas ainda morrerão afogadas abraçadas a ele, tão logo surja um modelo que a torne obsoleta da noite para o dia.  A certeza de que empresas e profissionais evaporam cada vez mais rápido em cenários incertos como os atuais, mostram que o maior patrimônio que podemos carregar conosco é, junto ao nosso Propósito e nossos Valores, a nossa capacidade de pensar diferente.

Se transformar, reinventar‐se e, muitas vezes, ser os primeiros perceber a obsolescência do nosso próprio negócio, buscando o aperfeiçoamento contínuo, conscientes de que o erro será parte natural deste processo. É importante não ter medo de errar, mas também permitir-se rir dos próprios erros. O nome disso é Criatividade.

 

🍎 Eduardo Zugaib – Profissional de Comunicação e Desenvolvimento Humano, atividades que se misturam ao longo de mais de 25 de anos de carreira. Escritor e conferencista em nível nacional. São mais de 10 anos provocando e inspirando pessoas e organizações para uma vida com mais Propósito, Protagonismo e Performance.

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